sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sobre o jornalista

AVISO: Podem depositar os sinais exagerados de lirismo, idealização e ingenuidade da conta do professor Dirceu Fernandes Lopes.

Tem tanta gente tão burra e cega que deixou de perceber a muralha que divide jornalismo e entretenimento, jornalista e celebridade.



De repente, programas informativos viraram reality shows – em que os próprios apresentadores são as estrelas. Ser seguido por paparazzi e atacar de DJ já fazem parte do cotidiano.



Num mundo em que mocinhas prestam vestibular de comunicação querendo ser atriz-e-modelo, quem diabos é o jornalista?



O jornalista é o representante do povo que o povo não escolhe. É ele quem decide ajudar as pessoas, falar por quem não pode falar. Por isso, o jornalista não pode nunca ficar quieto. O silêncio não pertence a ele.



Ignorar? Outra palavra que não existe no vocabulário das redações. Menos ainda se o complemento do verbo for um fato importante. Se for algo que ninguém sabe, mas todo mundo deveria saber, nesse caso então nem se fala...



O jornalista não pode esquecer da ajuda que deve pra turma do lado mais fraco da corda. Onde já se viu, repórter, assalariado – às vezes nem isso – puxar saco de empresário?



A reportagem é a voz de quem é quase mudo. São os olhos de quem não consegue ver. É a faixa de protesto confiscada pela repressão. O jornalista constrói o mundo em que as pessoas acreditam. O repórter precisa acreditar no seu próprio poder ­­-- se o supervalorizar, melhor.



Altruísmo. O jornalista tem que conhecer, estudar, amar, adotar para a vida essa palavra. Tem que comer, respirar e, principalmente, trabalhar com ela na cabeça. Até  porque ele não trabalha para si, trabalha para todos os outros.



O jornalista tem que deixar de lado as coisas ruins – entre elas, o salário. Não pode se apegar a horário de trabalho, rotina fixa, família esperando pra jantar. Na verdade, não deveria casar nem ter filhos. A vida do jornalista não pertence a ele mesmo.



Idealmente seria assim, mas o jornalista – quem diria! – é ser humano. Para garantir o leite ninho das crianças, vai ter que fazer o que mandar o editor. Isso sem contar os outros chefes.



E aí as matérias sobre a fila do INSS, sobre as crianças abandonadas no centro da cidade vão pra onde? Bem, algum texto tem que sair para entrar o anúncio, uma nota sobre a empresa do amigo do chefe...



É a vida. Fazer o quê? Se o mundo continuar para sempre uma merda, pelo menos ele pode dizer: “Eu tentei ajudar...”. O importante, aliás, é nunca deixar de tentar.

2 comentários:

  1. Espero que essa vontadezinha que me deu de ser jornalista não vá embora muito cedo!

    Beeeijo, Well!

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  2. Well, ficou mto legal...mas fato é que uma pena que mtas dessas coisas aconteçam. ps: o aviso explica mta coisa ;) hehhehe legado do Dirceu!

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