domingo, 7 de agosto de 2011

Amy e a mídia

[caption id="" align="aligncenter" width="400" caption="Ilustração de Sucgang Designs"]Ilustração de Amy Winehouse[/caption]

Amy Winehouse. Sim, falarei disso. Também estou enjoado desse mesmo assunto, mas de todos os incontáveis textos que li sobre a morte dela poucos disseram realmente o que precisava ser dito.



Há alguns meses, quando Amy veio ao Brasil, todos os meios de comunicação encotraram uma maneira de criticá-la de uma maneira nojento. Desde o jornal de papel até portais de internet publicaram intermináveis reportagens sobre a artista bêbada e drogada que cuspia na imprensa, batia nos fãs e caia no palco. Pouquíssimas coisas foram ditas sobre o seu trabalho, que atingiu o auge de sua genialidade justamente nos piores momentos da artista.



Amy morreu, muito provavelmente por consequência do seu estilo de vida. O tratamento da imprensa em relação a ela se modificou drasticamente: foi martirizada e considerada diva, "especialistas" fizeram longos discursos sobre a sua importância para o renascimento da Soul Musica e a restruturação do cenário musical britânico.



Amy nunca foi diva e nunca fez questão de ser. Nunca pagou de boa moça ou quis desfilar como símbolo de superação. Amy não precisava da pena que sentiram por ela. Não precisava de locutores mal-informados repetindo continuamente que ela não havia aguentado o peso da fama, que a pressão do estrelato era demais. Pareciam estar falando de uma mocinha ingênua. Ela sempre soube do destino para onde o caminho que estava seguindo a levaria. Ela não se importava, ou melhor, transformava isso em arte, em música. Nós, assumindo o egoísmo típico de ser humano, deveríamos agradecê-la por se autodestruir e construir com seus pedaços obras que pouquíssimos artistas na história da música mundial conseguirão.



Ela podia ainda estar viva. Podia ter se recuperado, montado uma família feliz, se convertido a alguma igreja e cantar sobre o interminável amor de um ser superior. Poderia e nós teríamos adorado se isso tivesse acontecido. Seria lindo. Seria um final feliz, mas esse não era o seu destino. Todos sabiam disso, inclusive ela.



Ela se foi na hora que todos sabiam que iria. Nem mais cedo, nem mais tarde. O “Clube dos 27”, do qual a imprensa tanto falou já esperava por ela -- e aposto que ela está entediada entre eles. A maior tristeza é o fato de ela não ter deixado mais do seu trabalho. Pelo menos, matar as saudades não vai tomar muito tempo.



Agora sim: R.I.P., Amy.



"I told you I was trouble. Yeah, you know that I’m no good”

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