sábado, 10 de setembro de 2011
Coisas de melhor amigo
Depois de ler essa história, eu me lembrei de um outro vídeo que eu havia visto há algum tempo. É um documentário sobre os últimos momentos de um cara com seu cachorro, que teve que ser sacrificado. É ainda mais triste, mas muito bonito.
Last Minutes with ODEN from phos pictures on Vimeo.
Não desidratem, por favor.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Sobre o jornalista
AVISO: Podem depositar os sinais exagerados de lirismo, idealização e ingenuidade da conta do professor Dirceu Fernandes Lopes.
Tem tanta gente tão burra e cega que deixou de perceber a muralha que divide jornalismo e entretenimento, jornalista e celebridade.
De repente, programas informativos viraram reality shows – em que os próprios apresentadores são as estrelas. Ser seguido por paparazzi e atacar de DJ já fazem parte do cotidiano.
Num mundo em que mocinhas prestam vestibular de comunicação querendo ser atriz-e-modelo, quem diabos é o jornalista?
O jornalista é o representante do povo que o povo não escolhe. É ele quem decide ajudar as pessoas, falar por quem não pode falar. Por isso, o jornalista não pode nunca ficar quieto. O silêncio não pertence a ele.
Ignorar? Outra palavra que não existe no vocabulário das redações. Menos ainda se o complemento do verbo for um fato importante. Se for algo que ninguém sabe, mas todo mundo deveria saber, nesse caso então nem se fala...
O jornalista não pode esquecer da ajuda que deve pra turma do lado mais fraco da corda. Onde já se viu, repórter, assalariado – às vezes nem isso – puxar saco de empresário?
A reportagem é a voz de quem é quase mudo. São os olhos de quem não consegue ver. É a faixa de protesto confiscada pela repressão. O jornalista constrói o mundo em que as pessoas acreditam. O repórter precisa acreditar no seu próprio poder -- se o supervalorizar, melhor.
Altruísmo. O jornalista tem que conhecer, estudar, amar, adotar para a vida essa palavra. Tem que comer, respirar e, principalmente, trabalhar com ela na cabeça. Até porque ele não trabalha para si, trabalha para todos os outros.
O jornalista tem que deixar de lado as coisas ruins – entre elas, o salário. Não pode se apegar a horário de trabalho, rotina fixa, família esperando pra jantar. Na verdade, não deveria casar nem ter filhos. A vida do jornalista não pertence a ele mesmo.
Idealmente seria assim, mas o jornalista – quem diria! – é ser humano. Para garantir o leite ninho das crianças, vai ter que fazer o que mandar o editor. Isso sem contar os outros chefes.
E aí as matérias sobre a fila do INSS, sobre as crianças abandonadas no centro da cidade vão pra onde? Bem, algum texto tem que sair para entrar o anúncio, uma nota sobre a empresa do amigo do chefe...
É a vida. Fazer o quê? Se o mundo continuar para sempre uma merda, pelo menos ele pode dizer: “Eu tentei ajudar...”. O importante, aliás, é nunca deixar de tentar.
domingo, 7 de agosto de 2011
Amy e a mídia
[/caption]Amy Winehouse. Sim, falarei disso. Também estou enjoado desse mesmo assunto, mas de todos os incontáveis textos que li sobre a morte dela poucos disseram realmente o que precisava ser dito.
Há alguns meses, quando Amy veio ao Brasil, todos os meios de comunicação encotraram uma maneira de criticá-la de uma maneira nojento. Desde o jornal de papel até portais de internet publicaram intermináveis reportagens sobre a artista bêbada e drogada que cuspia na imprensa, batia nos fãs e caia no palco. Pouquíssimas coisas foram ditas sobre o seu trabalho, que atingiu o auge de sua genialidade justamente nos piores momentos da artista.
Amy morreu, muito provavelmente por consequência do seu estilo de vida. O tratamento da imprensa em relação a ela se modificou drasticamente: foi martirizada e considerada diva, "especialistas" fizeram longos discursos sobre a sua importância para o renascimento da Soul Musica e a restruturação do cenário musical britânico.
Amy nunca foi diva e nunca fez questão de ser. Nunca pagou de boa moça ou quis desfilar como símbolo de superação. Amy não precisava da pena que sentiram por ela. Não precisava de locutores mal-informados repetindo continuamente que ela não havia aguentado o peso da fama, que a pressão do estrelato era demais. Pareciam estar falando de uma mocinha ingênua. Ela sempre soube do destino para onde o caminho que estava seguindo a levaria. Ela não se importava, ou melhor, transformava isso em arte, em música. Nós, assumindo o egoísmo típico de ser humano, deveríamos agradecê-la por se autodestruir e construir com seus pedaços obras que pouquíssimos artistas na história da música mundial conseguirão.
Ela podia ainda estar viva. Podia ter se recuperado, montado uma família feliz, se convertido a alguma igreja e cantar sobre o interminável amor de um ser superior. Poderia e nós teríamos adorado se isso tivesse acontecido. Seria lindo. Seria um final feliz, mas esse não era o seu destino. Todos sabiam disso, inclusive ela.
Ela se foi na hora que todos sabiam que iria. Nem mais cedo, nem mais tarde. O “Clube dos 27”, do qual a imprensa tanto falou já esperava por ela -- e aposto que ela está entediada entre eles. A maior tristeza é o fato de ela não ter deixado mais do seu trabalho. Pelo menos, matar as saudades não vai tomar muito tempo.
Agora sim: R.I.P., Amy.
"I told you I was trouble. Yeah, you know that I’m no good”
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
O que é o Google+ ou Como Ter Certeza De Que o Google Controla a Sua Vida
(O vídeo sobre o qual o post fala não foi produzido pelo Google e o estúdio que o produziu, apesar de ter a companhia entre seus clientes, não foi paga para o fazer.)
A intenção do vídeo abaixo é explicar para que serve o Google+, nova rede social do Google, e enumerar os motivos pelo qual o Facebook se tornou uma ferramenta de comunicação ultrapassada.
O vídeo é bem certeiro na explicação dessa nova rede. As características do G+, como vem sendo chamado, são bem explicadas e o motivo pelo qual mais pessoas deveriam aderir à rede são bastante justos. Mas o mais interessante é a resposta dada à pergunta: "Ao invés de criar um perfil no G+, eu não posso simplesmente esperar o Facebook criar funções parecidas às do Google+ -- o que com certeza vai acontecer?"
Vejam e pensem:
O que é Google+? (em inglês)
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Machismo: assunto do século XXI?

No meio do JUCA, campeonato das faculdades de comunicação de São Paulo, a galera do centro acadêmico da ECA-USP tentou puxar o coro: “Machismo Brocha!”. Para a infelicidade deles, quase ninguém aderiu ao movimento -- acho que não era o momento adequado. Pela minha cabeça passou o seguinte pensamento: “Feminismo? Esse assunto está meio caído, não?”
Sim, eu sabia que normalmente mulheres recebem salário menor do que os dos homem, ainda que elas estudem mais e ocupem o mesmo cargo. Sabia também que o número de mulheres em cargos de chefia é menor do que o de homens. Apesar disso, acreditava -- e ainda acredito -- que existe uma tendência à igualdade. Ainda existem diferenças, mas que tendem a se reduzir cada vez mais. Sem contar que eu nunca havia presenciado uma cena de machismo que tivesse me chamado a atenção.
Acontece que um dia, eu presenciei essa cena. Estava no interior, visitando meus amigos de lá. Convidei uma amiga para sair com a galera e ouvi como resposta: “Preciso ver se o Fulano [namorado dela] deixa”. Imaginem a minha cara ao ouvir aquela frase. Quer dizer, então, que ainda existe mulher que pede PERMISSÃO do homem para sair? O papa-léguas machismo (alguém lembra do desenho?) havia acabado de jogar a sua bigorna ACME sobre a minha cabeça.
Meio transtornado, fiquei com o assunto na cabeça. Parei para pensar e comecei a procurar pistas de outras situações parecidas que eu tivesse presenciado. Além das incontáveis que se passaram na igreja (evangélicos são extremamente patriarcais e, por consequência, machistas), lembrei de dezenas de outras vezes em cenas da minha família, na rua, na televisão.
Cacete, o machismo AINDA existe! E anda se escondendo, tentando circular sem chamar atenção. E a grande gigantesca maioria da população simplesmente não o ignora. Sim, o anti-machismo é um movimento fora de moda; mas não porque ele é inexistente -- como eu pensava e muitos ainda pensam. O machismo não é enfrentado porque nós não o enxergamos.
Já passou da hora de nós abrirmos os olhos para assuntos como esse. Sem falar em outros que nós também fingimos não ver.